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Amosando publicacións coa etiqueta narrativa. Amosar todas as publicacións
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luns, 26 de xaneiro de 2026

María Reimóndez estivo lendo... A turista de Yun Ko-eun

 



Dende unha perspectiva de puro surrealismo, Yun Ko-eun narra as peripecias desta "turista" 

que manifesta a ollada depredadora do consumo da dor allea nas sociedades afluentes. Así, 

Yona, unha traballadora dunha estraña axencia de viaxes que envía turistas a zonas 

catastróficas, acaba nun dos destinos que ofrece a axencia para experimentar de primeira 

man as trampas e riscos desa ollada. Unha novela entretida, desconcertante pero que leva a 

unha interesante reflexión sobre un tema actual de relevancia, a depredación turística.

domingo, 13 de abril de 2025

venres, 4 de abril de 2025

O caminho que nos leva aonde queiramos ir por Susana S. Arins





Cousas pequenas como esta de que sentemos ao final da noite e comentemos o dia, ou não, ou esta de que fiquemos, eu com o diário da tarde, ti com a costura, ti e mais eu com um silêncio cúmplice, ou esta de que tu apampes a olhar o lume e eu pergunte em que pensas e tu digas a Grace e eu diga cresce bem, verdade e fiquemos ambos pampos, tu e eu, a olhar o lume, o orgulho todo na estirpe que criamos. 

Cousas pequenas coma estas, de Claire Keegan constrói-se como um conto de natal. A autora coloca a ação na vila irlandesa de New Ross. A narração flui como no mais que perfeito canto de Dickens, mesmo no estilo, até o ponto de ficarmos surpresas ao saber que estamos em 1985 e não o século XIX. 

O protagonista, Bill Furlong, é o amo de um armazém de lenha e carvão, com esposa e cinco filhas. Os dias transcorrem para ele com a única preocupação de que nada lhes falte às suas mulheres. E nada falta. Também não sobra, mas nada falta. São as datas prévias à noite de natal e a família pode escolher presentes, preparar sobremesas e dormir quente, cousas pequenas estas na aparência mas essenciais no contexto de crise económica brutal que atravessa o país. 

Bill Furlong comenta com a mulher na noite quem lhe deve lenha, a quem não lha vai cobrar porque acaba de ficar sem trabalho, quem se foi para Londres à procura de melhoras, quem fechou o negócio, e nunca esquece agradecer a deus não ser ele e a sua família vítimas desses tempos duros. 

Os dias correm em uma rotina lenta, acompanhada de frio e neve: Furlong trabalha a jornada completa, volta na noite à casa, ceia com Eileen e as meninhas, e quando estas se deitam, partilha conversa ou silêncio com a parelha. Sabemos assim que ambos, ele e ela, tem uma relação consolidada, cúmplice, em que se conhecem com profundidade. 

Enquanto acompanhamos a Furlong nas cousas pequenas do dia a dia, entramos nos seus pensamentos. As enumerações e descrições minuciosas que a narradora faz de cada atividade permitem-nos acompanhar o protagonista nas suas divagações: 

Mirou para Eileen, que despregaba o cable do ferro de pasar para metelo no enchufe, e para as súas fillas, sentadas à mesa cos cadernos e lapis, dispostas a escribir as súas cartas, e ao facelo lembrou com pesar a vez que sendo un neno escribira, o mellor que soubera, unha carta pedindo que viñese o seu pai ou que lle trouxesen un quebracabezas de cincocentas pezas coa imaxe dunha granxa. Aquela mañá de Nadal, ao baixar ao salón que a señora Wilson lles deixaba compartir de tanto e tanto, atopara o lume xa aceso e, baixo a árbore, tres paquetes envoltos no mesmo papel verde: no primeiro deles había un cepillo de unllas e unha pastilla de xabón; no segundo, unha bolsa de alga quente; no terceiro, de parte da señora Wilson, un exemplar do Conto de Nadal de tapas duras vermellas, sem debuxos, que cheiraba a mofo. 

Saíra à corte da vaca para agochar a súa decepción e chorar. Por alí non pasaran nin Papá Noel nin o seu pai. Tampouco atopara cebracabezas ningún...1

Porque um dos orgulhos de Bill Furlong foi chegar a ter a sua própria empresa, pequena como essa que tem, sim, mas própria, sendo como era filho de solteira sem pai conhecido. Consciente da sua origem, respeitoso da memória da sua mãe, não renega da sua condição nem a oculta e sempre, sempre, faz por ajudar à vizinhança que está a passá-lo mal, porque também da sua mãe se apiedou a senhora Wilson, a dona da granja em que trabalhava quando prenhou. 

Não há senhor Scrooge neste conto. 

E se não há senhor Scrooge, onde o conto, onde o canto, onde o milagre?

Claire Keegan mostra-nos que os fantasmas não são precisos para nos confortar com quem somos. Não têm que vir espíritos de passados nem de futuros. Chega com atender às cousas pequenas do presente. 

É que um dia Furlong recebe o encargo de levar lenha ao convento. As freiras da Madalena levam um serviço de lavandaria para toda a vila. Contam-se cousas sobre elas. Rumores. Boatos. Cousas pequenas e escondidas que podem ser ou não certas. E Furlong leva a lenha e entra em um alpendre e dá com uma rapariga a dormir nele, fechada com candeado, e que lhe suplica para a tirar dali. O espectro não pode ser mais real. Espelujada, suja, de pés espidos. Mira polo meu bebé, pede-lhe. 

Uma meninha pequena como esta, uma frase pequena como esta, rebentam, entre o frio e a neve, a rotina calma em que fluía a vida do Furlong. Cousas pequenas como estas obrigam-nos cada dia a tomar partido, a decidir se queremos atender ao mundo ou continuar habitando-o como sombras.

A autora não escreve nem oitenta páginas. E nelas, sem que sobre nem falte uma coma, com uma precisão cirúrgica2, coloca perante os nossos olhos um dos escândalos maiores da igreja católica irlandesa, os lares para mães solteiras das irmãs da Madalena. A arte de Keegan é a de impactar-nos sem quase entrarmos no convento, alheio absolutamente às cousas pequenas do dia a dia de uma vila, uma das causas, provavelmente, de que perdurassem durante tanto tempo as atrocidades acontecidas muros adentro. Keegan coloca-nos a nós no lugar da escolha. Nosoutras somos Furlong, e no dia a dia das cousas pequenas, devemos assumir qual é o caminho que queremos andar. 

E adoramos que ela nos anime a caminhar da mão das cousas pequenas. 




Keegan, Claire: Cousas pequenas coma esta

Tradução de Isaac Xubín

Rodolfo e Priscila 2024



1Keegan, Claire: Cousas pequenas coma esta, págs 25-26. Rodolfo e Priscila 2024. Tradução de Isaac Xubín. 

2Impressiona como consegue levantar ata da ruptura da confiança na parelha com só duas frases.

martes, 18 de marzo de 2025

María Reimóndez estivo lendo...


É este un libro para repensar de que falamos cando falamos da vida nas marxes. 

O relato de Sosa percorre as vidas das "travestis" que se prostitúen nun parque, tanto o horror como a marabilla. 

É este un relato de vidas que precisamos escoitar con urxencia, tamén unha reflexión fonda sobre o que significan as mais, as familias e as comunidades.

 Un libro que emociona e que nos transforma.



Sosa Villada, Las malas, Tusquets,  2020

martes, 11 de marzo de 2025

Quando 50 anos são a nada por Susana S. Arins


    Chegou o tempo das cireijas? Chegou a primavera tanto tempo aguardada? Leio Montserrat Roig e acabo por duvidar. 

Eu estava a ponto de nascer quando a Natália Miralpeix voltou a Barcelona após doze anos de auto-exílio (exílio?) no Reino Unido. Natália instala-se no andar de uma tia e recupera o contato com a família e alguns conhecidos, pois quer procurar trabalho para ficar. A sua ausência fica marcada por dous fitos da repressão franquista na Catalunya: foge quando a execução de Grimau e volta quando a de Puig Antic. Emergem e submergem estes nomes1 na narrativa e assim, subtilmente, a autora evita-nos a queda na ingenuidade: sim, estamos em 1974, no estertor do franquismo, mas nada de dictablanda, a pena de morte eis a está e continua a ser aplicada. 

Natália, de família burguesa e abastada, deixou o país sem se despedir do pai, e sem ter contactado com ele nos anos londrinos. Deve recuperar essa relação e toda a narrativa, as expetativas, as promessas e surpresas aparecem-se ligadas a essa relação pai-filha: por que a distância, por que a reconciliação, onde o perdão, por que, onde a desculpa. A autora regula a informação que nos fornece de maneira a ficarmos prendida na narração página atrás página. Vamos conhecendo toda a família da Natália (a tia, a criada de sempre, a cunhada, o irmão, o sobrinho, a mãe), e com cada parente a sua historia, mas sempre falta o pai. Onde o pai? E cada personagem vai fornecendo informações também da mesma Natália: pedem-se explicações, aparecem os reproches, as culpas, as acusações. 

O romance é uma maravilha no uso do tempo narrativo. Os saltos atrás e adiante das personagens a lembrar as suas infâncias, as suas mocidades, os eventos familiares, faz que na linha de não mais de seis dias, desde a chegada da Natália a Barcelona, recorramos quase um século de historia da família e do país. E todo acompanhado das mudanças percebidas pola protagonista, doze anos ausente. As comparações da Barcelona que deixou e a Barcelona à que volve são contínuas. 

Pai e irmão da protagonista são arquitetos e promotores inmobilários. Isto é álibi para introduzir-nos na observação e descrição contínua de andares, vivendas e urbanismo, deixando entrar na narrativa uma revisão do desarrollismo turístico da Espanha das últimas décadas da ditadura. A meticulosidade das descrições de mobílias, objetos, enxováis, daquilo que ocupa a intimidade dos lares, põe em destaque, também, as diferenças de classe das personagens. Que pai e filho partilhem profissão permite à autora analisar as mudanças geracionais no país, como convivem como a ditadura aqueles que viveram a guerra e aqueles que não. 

Roig renuncia a utilizar a narração omnisciente, colocando-nos sempre diante as olhadas das personagens. O foco viaja de umas a outras, criando em nós, leitoras, a sensação de privilégio: acedemos ao âmago daquilo que pensam umas e outras, umas das outras, sabendo-as a elas ignorantes dessas opiniões. Não julga a autora. Sim as personagens. Avançamos a leitura e construimos a nossa visão e odiamos ao Joan Miralpeix e mudamos o ódio cara o Lluís e sentimos pena da tia Patrícia até que passamos essa lástima à Natália enquanto nos diverte a Sílvia. E não é que mudem as personagens (que também), mas o conhecimento que delas temos nós. 

Li entusiasmada. Sem embargo, no avanço, nesse passear Barcelona do braço da Natália foi crescendo a raiva, o enfado. Porque me parece uma obra maravilhosa e, novamente, como com outras tantas, é uma obra ausente dos espaços literários canónicos. A da Montserrat Roig é uma olhada lúcida ao franquismo, ao uso que fez da família como primeira cédula de repressão, às múltiplas violências que exerceu na cidadania, à inter-seccionalidade com outras violências (contra as mulheres, contra a diversidade sexual, contra as classes desfavorecidas) a muitos dos debates ainda hoje vigentes (navegar na corrente, rebelar-se, rendir-se, falar, calar, colaborar, fugir…), a pesada lousa de trauma e silêncio que carregam as vítimas, à demência e à loucura que a repressão provoca. E, como sempre, é uma obra que nunca antes se apareceu nos espaços de estudos literários que naveguei. 

Quando li a descrição da noite do casamento da tia Patrícia lembrei a descrição que Begonha Caamanho faz da noite de Penélope e Ulises no seu Circe ou o pracer do azul, tão impactante. Quando li o trecho em que é narrado o aborto da Natália, lembrei a Annie Ernaux e o seu O acontecimento. A peregrinatio à procura de ajuda. A crueza e o paternalismo. Só que a obra de Caamanho é de 2009 e a de Ernaux é de 2000. Montserrat Roig publicou El temps de les cireres em 1976. 

E penso nessa condena eterna das autoras a desaparecermos e reaparecermos décadas depois em que uma companheira nos descobre e voltamos desaparecer até outra fazer a descoberta, e outra, e outra, raivadas sempre por termos que andar na cansa tarefa de descobrir aquilo que tinha que estar evidente diante dos olhos. 

Leiamos Montserrat Roig, por ver se de vez chega a nós a primavera, o tempo das cireijas. 


Montserrat Roig: El temps de les cireres. Educació 62, 2014

Tiempo de cerezas. Editorial Consonni, 2024. Traducão de Genma Deza Guil



1Só citados nas conversas das personagens, sem explicações. Adoramos que a autora renuncie à sobre-explicação enciclopédico-histórica.

luns, 3 de febreiro de 2025

Montse Paz estivo lendo...


Acabo de ler a novela  Y del cielo cayeron tres manzanas da escritora de orixe armenia Nariné Abgarián.

É a historia dunha aldea, Maran, perdida na montaña armenia e a vida das súas xentes: a fame, as guerras, as mortes. As persoas que quedan vanse facendo maiores e xa non teñen esperanzas. Anatolia a muller a quen acompañamos durante toda a novela deitase a morrer e a  partir deste punto coñecemos a súa vida de maltrato, de solidariedade e de amor.
Libro sorpendente en que nos achegamos ás tradicións, costumes, alimentación e, en definitiva, á vida das persoas que habitan Maran.

mércores, 8 de xaneiro de 2025

María Reimóndez estivo lendo...


 Tardei moito tempo en ler este libro, tíveno que ir dixerindo aos poucos porque o que conta e como o conta me remexeron de tal xeito que me deixaba sen alento. Tratar o asasinato machista da irmá xa de partida é un reto atroz. Mais Rivera Garza (Cristina, con Liliana) recolle un arquivo de voces que nos axudan a reverter o acto de violencia do asasino presentando ante nós unha moza viva, dinámica e autónoma.

As leccións que esta obra nos ofrece para entender a violencia de xénero son realmente de lectura obrigada, mais nunha situación de tal inxustiza se cadra o máis conmovedor é iso: deixar de ver a Liliana como un número, como unha vítima e vela como unha muller completa, resiliente e libre. Unha obra imprescindible

Rivera Garza, Cristina: 

El invencible verano de Liliana.

Random House Mondadori 2021

domingo, 15 de decembro de 2024

Apalpar o outro lado por Nuria Vilán

Sobre Runrún, Ana Varela, Galaxia, outubro 2024


"A doutora fálalle naquel ton musical tan característico mentes avanza cara a ela, sen achegarse de abondo, deixa un espazo, como terra de ninguén. Se estirase o brazo non a podería tocar. A distancia do medo". (p. 91).


Remato este libro no Miradoiro do Monte Cepudo. Subín até aquí nun dos tantos cortes de electricidade que se repiten nas parroquias de Vigo para poder cargar un pouco o móbil no coche… O mesmo poden ser 2 horas ca 24. Hoxe, en concreto, o desabastecemento durará case 7.


Ana Varela dá o salto á novela cun relato que diseca a realidade dunha moza ferrolá de vinte e poucos anos no que converxen violencias diversas e acotío silenciadas: a saúde mental, a precariedade da sanidade, os abusos de poder, as cargas familiares, o estigma do suicidio… A narración colócanos a carón de Uxía, describe e redirixe a ollada a determinadas, pero non saca conclusións; quen narra, penso eu, quere que sexamos nós, do outro lado, es que atemos cabos soltos e é precisamente esta idea de distancia a que vertebra todo o relato. 


Desde o comezo, a saúde mental colócase no centro: as tolas, as psiquiatrizadas, as eternas invisibles e infantilizadas toman o control da narración. Uxía e Aldara, as dúas irmás, funcionan como personaxes antagónicas; por unha banda a Uxía adulta funcional e asisada, pola outra a Aldara insensata que foxe do centro no que está ingresada -de forma voluntaria- porque non soporta que mesturen as cores na ensala rusa. Ou algo así. A historia irá deformando esta percepción para deixar espazo á dúbida. Xoga nos lindes difusos entre o establecido como loucura e cordura e abre espazo a cuestionar a posibilidade de que estes dous "lados" entren en contacto. Aparece un runrún constante de xestos mínimos que, chegado chegado o intre, poderán ou non empregarse EN CONTRA de quen, historicamente, son es desequilibrades en potencia.


A novela abre cunha cita esclarecedora de María Luísa Elío: "El otro lado está muy cerca de este, no hay más que alargar un brazo, y ahí está, se toca".

Dáse protagonismo a unha Uxía que chega á consulta médica con varias dores para recibir un diagnóstico de "nervios". É cada vez máis habitual evidenciar a misoxinia e a precariedade de diagnósticos nas mulleres, nas persoas trans, non binarias, no diagnóstico de calquera identidade que non encaixe en "home cis". Nas últimas semanas, ademais, varias amizades próximas relátanme como os seus pais, irmáns, tíos, curmáns, acudiron a urxencias con sintomatoloxías graves, afectados por dores no peito e dificultade respiratoria, foron atendidos con cautela e DESPOIS de TACS, analíticas e outras tantas probas… Recibiron o diagnóstico de ansiedade, pánico ou depresión. Por desgraza, a atención médica en consulta está tremendamente obsoleta e do outro lado (sempre hai un lado contrario), ao acudirmos a urxencias con migrañas, apendicite, adenomiose, endometriose…, escoitamos algo similar a "tes que calmarte".



Runrún pousa a ollada nese baleiro, na deshumanización da enfermidade, en xeral, e da doenza mental en especial. A violencia na novela chega cun sorriso e cheiro doce, sen grandes xestos; é precisamente Uxía, ao saberse abandonada polo sistema que debería de coidala, quen excede a agresión física e a violencia contra si mesma, superada pola impotencia.

Varela escolle tamén o contexto dos estaleiros ferrolás, "hai anos que o amianto está prohibido na construción dos barcos, pero no estaleiro seguimos reparando os barcos vellos" (p. 32), para colocar as consecuencias do "asasino silencioso" (amianto) e da considerada "enfermidade profesional" como escenario de fondo. A industria naval de Ferrol está considerada como unha das máis afectadas polo uso de amianto e desde AGAVIDA (Asociación Galega de Vítimas do Amianto en Ferrol) continúan a esixir responsabilidades e indemnizacións para as familias. A novela evidencia a dificultade de lidar coa inxustiza e de facer fronte a trámites xudiciais no medio do dó.

Acompaña toda a novela, como unha sombra, o estigma do suicidio que apenas se nomea. Da orfandade. Maniféstanse as fallas dun sistema que abandona aos traballadores enfermos á súa propia sorte e deixa ás familias como únicas responsables de recompoñerse e continuar. Runrún consegue recrear de forma sinxela (que non simple nin doada) unha atmosfera que circunstancias que xogan tamén coa perspectiva de quen le e fan que se alimente o imaxinario colectivo de que é así como se constrúe a loucura: a base de antecedentes familiares e situacións traumáticas.


Nese ruído de fondo, aparece tamén a relación entre Uxía e Nacho, o seu xefe no bufete de avogados responsable de xestionar as denuncias por neglixencias no naval. Unha relación intermitente e marcada polas condicións que Nacho, moitos anos maior ca ela, impón sen demasiadas consideracións. Algo que chama atención nesta ollada que acompaña sen xulgar é que coñecemos unha Uxía consciente e pouco inxenua, unha Uxía que non acepta de todo, pero si sabe das mentiras de Nacho e non é unha meniña coitada. Interpreto a construción desta personaxe como un pasiño máis que se avanza á hora de desfacer o imaxinario da vítima perfecta e do acosador encapuchado. A violencia machista, facemos público aos poucos, ten estratexias infindas e á vez atravesadas pola clase, a raza… A violencia non é unha e clara, senón moitas e difíciles de desenmarañar. A semana pasada, mesmo, desatouse a denuncia pública contra Íñigo Errejón, un nome máis na lista de homes con poder e comportamentos de depredación sexual.


"Nótao por todas partes, sobre ela, como un depredador. (...) Déixase facer. Non quere estragar o encontro. (...) Normalmente adora a urxencia nel. Pero hoxe todo vai moi rápido. (...). (p. 43).


Supoño que alguén aínda poderá ler estas escenas en ton de affaire de telenovela, que para alguén haberá morbo e provocación… E é precisamente aí, nesa visión voyeurista e sexualizada da erótica do poder, onde habería que facer un traballo de revisión. O filme The assistant (dirección e guión Kitty Green, 2019), sen ir máis lonxe, coloca a ollada no devir cotiá dunha secretaria no seu posto de traballo. Non aparece o nome, pero facilmente podemos identificar a sombra de Harvey Weinstein. Entre cafés, fotocopias e citas, a asistenta observa, sen poder facer nada, a impunidade con que o seu xefe abusa do seu poder. Bárbara Rey podería ser unha secretaria máis que un día, cansa de calar, abre un arquivo de 20 anos de escoita na sala contigua de calquera multinacional exitosa.

Para moitas, o relato non é erótico, senón que amosa unha indefensión aprendida e a ausencia de ferramentas para describir o desexo feminino. Simplemente, en moitas ocasións, o noso imaxinario -imaxinario real e construído a base de violacións en manda, casos mediáticos de desaparicións e asasinatos- sabe que é mellor calar a resistirse. É preferible calar e non arriscarse a unha resposta violenta. "Tarda pouco e en certo modo é un alivio" (p.43). Esta frase é fulminante. Levamos anos a falar da cultura da violación e do consentimento e semella que agora comeza a dar froitos. Non é que haxa máis agresións, senón que agora poden denunciarse. Sería interesante expor este capítulo a adolescentes e deixar que fagan preguntas; o sexo e o desexo están inzados de violencia e cómpre revisar de forma colectiva o xeito en que os entendemos; o xeito en que esa mesma violencia escoa fóra do cisnormativo e acaba por reproducirse tamén en relacións lésbicas, nas relacións homosexuais entre homes… Cómpre entender que o machismo constrúe a identidade masculina fráxil e incapaz de expresarse e de crear vínculos na tenrura. Series como I may destroy you (escrita e dirixida por Michaela Coel, 2020) ou filmes como O descoñecido do lago (escrita e dirixida por Alain Guiraudie) e L'animale (escrita e dirixida por Katharina Muckstein) tratan como temas transversais as dificultades de relacionarse desde a masculinindade hexemónica para os propios homes.


No festival Curtocircuíto, este mesmo outubro, asisto á proxección de Las novias del sur (Elena López Riera), unha mediametraxe documental na que, ante a cámara, un grupo de mulleres di diferentes idades rompe co seu silenzo. Entre risas, unha delas di que non gozou do sexo en case 40 anos de matrimonio e que aos 60, xa viúva, coñeceu a un home que lle descubriu o mundo e tamén o seu propio desexo.

Uxía non nos agasalla grandes xestos, pero si acompañamos como cambia a súa perspectiva "Realmente parece máis baixo do que recordaba", "Así vestido bótanselle os anos enriba e aparenta a idade que ten, ou aínda máis", "Non lle gusta o xeito en que a miran, como un trofeo. Quere marchar". E ás veces un cambio de perspectiva abonda.

Ana Varela non escribe de forma didáctica, crea unha narración que diseca, expón, dá pistas… Quen non queira recoñecer a evidencia, ten un traballo persoal pendente.


Outubro, 2024.
Nuria Vilán Prado

sábado, 30 de novembro de 2024

Avelaíñas brancas que remanecen por Eli Ríos

As avelaíñas. Deben ser elas as que che insitan a actuar, a pensar en Mariña, a moverte, a xoghar coa vida. A soñar.

A xoghar coa vida.

Existe esta expresión? Debería. Estaría ben que no cole quitasen alghunha hora das tropesentas de mates para meter unha materia que versase sobre como xoghar coa vida, como foder coa vida, como ser felís e pasar de todo o malo que non é suseptible de poder cambiar.1

  Porque diso vai a novela Avelaíñas eléctricas de Sica Romero: da vida e das ferramentas que temos para xogala. Mellor dito… das que non temos e o que iso provoca nas protagonistas. En ningún momento se romantizan a dor ou as penurias, non. Acompáñanse en todas as súas expresións deixando constancia do que nos falta como sociedade para atender o emocional. 

  Se estás nese momento en que na túa carreta non cabe unha pada máis de drama, espera un momentiño antes de pechar esta recensión, porque aínda que as situacións de violencia (sexual, económica, laboral, sistémica, etc) son descarnadas, a retranca vainos levar a un camiño de reflexión profundo máis alá do simple morbo. E o humor é a mellor ferramenta de crítica social, neste caso, para cuestionar e desmontar o mal.


Ai, Padre Nuestro pequeniño. Debes estar de coña, señor ghalerista. Iso pénsalo, mais non o soltas. Educada de máis te estás a volver. Iso fui ofensivo que te caghas (…)

Imagino que lo comprenderás, di Marisol cunha cara que che fai lembrar, como boa friqui de Harry Potter, a Dolores Umbridge. No es justo que mi marido tenga que pagar a una chica que bien podría estar haciendo sus prácticas aquí.

Imigini qui li quimprindirís… será.. 2


    Se xa a temática nos fai empatizar coas protagonistas, a identidade reflectida na linguaxe achéganos aínda máis a esta narrativa en que a oralidade ten un papel fundamental e axunta á diversidade formal nas grafías, nos rexistros, nos estilos, …, e, incluso, nas citas rosalianas coas que comeza cada capítulo. Así Olivia usa a gheada e o seseo tan característico da Costa da Morte, mentres que Mariña mantén os trazos dunha localización non explicitada, normativamente centrada sen trazos dialectais alén das escollas léxicas.


Non. Silencio.

Pecheime no baño. Desfíxenme da roupa. Escondín as bragas con sangue nunha bolsa para tiralas no contedor. Abrín a billa e deixei correr a auga que desaparecía polo desaugadoiro tinguida de vermello.3


    Estas dúas mozas mencionadas están a atravesar unha ruptura sentimental que leva a Olivia a emigrar a Barcelona e traballar de camareira, mentres que Mariña está empregada nun museo. Esta separación vai, tamén, facer parte desa estrutura xenial coa que se artella este texto: cada unha conta a súa parte da historia desde os seus espazos vivenciais actuais, pero tamén desde o que compartiron no pasado. Olivia faino en primeira persoa e Mariña nunha segunda persoa brillante desde o punto de vista técnico.

    O afastamento é unha escolla, como outra calquera, que ten moito de coidado propio así como do da outra. Por unha parte, Mariña convive cunha depresión que, nalgún momento do pasado, non soubo xestionar ou non tiña os apoios necesarios para facelo. Por outra, Olivia ten unha situación familiar complexa que a reclama, unha e outra vez, cun irmán drogadicto e unha nai que chama por ela a cada pouco. Nestas circunstancias, o relacionamento de parella non é san porque xa teñen abondo cos seus propios procesos e problemas como para atender a un elemento a maiores na ecuación afectiva. En determinado momento, precisan separarse para recompoñerse e aí é, in media res, onde entramos as persoas lectoras: na reconstrución delas dúas por separado e, ao mesmo tempo, na descrición do que significa/significou a relación para cada unha.


Páx. 160


  Nesta edición tan visual, cada un dos elementos formais acaban por encaixar á perfección e cadran nun marabilloso obxecto artístico fiado polos fragmentos poéticos de Rosalía de Castro. Esta parte técnica ensambla, por súa vez, coas temáticas que se presentan a través da bagaxe persoal das protagonistas, é dicir, a voz de dúas mozas na casa dos vinte anos é validada para tratar do amor, das drogas, das violencias, do suicidio, da saúde mental, das familias (diversas, desestruturadas, escollidas, etc), da homofobia, da precariedade laboral, do desterro, das redes sociais, do desarraigamento ou da sexualidade, entre outras. Estas voces “novas” son operativas para tratar todos estes temas e vano facer desde a propia identidade tanto lingüística como social e cultural.

  Ademais, gorece esta narrativa un universo metafórico que se manifesta desde o mesmo título. As avelaíñas son eses seres que, nas crenzas populares, tanto poden achegarnos boas novas coma desgrazas. Elas son as que van dotar de significado tanto os obxectos como os sentimentos. 

Sinto… como un baleiro aquí, di mirándoche mentres sinala a boca do estómagho.

Eu teño avelaíñas aí.4

    As cores (vermello, amarelo, azul cobalto, ...) e as avelaíñas van vincular as protagonistas (entre elas e coas demais persoas) e constrúen para nós lectoras un mundo sinestésico que prende nos nosos sentidos na mesma portada e ata a última páxina. Unha experiencia de lectura para gozar dela, sen dúbida, desde todas as arestas que nos presenta e con todos os sentires que nos ofrece.






Romero, S., Avelaíñas eléctricas, Néspera editora, 2022









1Páx. 111

2Páx. 119

3Páx. 159

4Páx. 193

domingo, 3 de novembro de 2024

Intemperie por Susana S. Arins

Da intempérie e o lugar




Foi quiçá a palavra que me deu a chave de leitura das duas obras. Sentir-se na intempérie, mui longe do intempériome de Xela Arias. Sentir-se na intempérie na sua literalidade: ficar indefesa ou desprotegida perante as inclemências da vida, do mundo. 

Luz Pichel coloca-nos na intempérie de não pertencer ao lughar, de ser alheia, no medo a incomodar a não perceber: “teño medo de poñer a miña cabeciña / a maquinar à beira da vosa non me quero / meter onde non caiba quero rir com vós / non quero ser unha vella / desaborida. 

A poeta passou quinze dias com as vizinhas de Vilar de Bande, e dessa convivência nasce Tu existe, obra ilustrada por María Puertas. Nas páginas convivem também, em mistura aparentemente caótica, os poemas da autora, as suas reflexões sobre a vida no rural, sobre a memória, partilhada ou não, sobre a imagem que quer (ou que sabe, ou que pode) oferecer das vizinhas, sobre a sua própria história familiar, e as vozes dessas habitantes de Vilar de Bande, todas com nome: Camila de Benito, Maruja de Clementina, Marisa de Ricardo, Elvira da Pequerrucha… Todo em conjunto forma um palimpsesto, de escrita sobre escrita sobre escrita, que nos permite fazer uma imagem geral daquilo que nos quer contar: as pessoas do rural existem, são. 

Um fio percorre e une todo o relato: a reflexão sobre a língua. Tem-nos afeitas Luz Pichel, desde o Casa Pechada / Cativa en su lughar ao jogo com as palavras, os fonemas, os dizeres. Esse uso literário do castrapo que a coloca na intempérie do(s) sistema(s): escreve ela galego, escreve ela castelhano, que é que escreve?

O Tu existe é reflexão sobre a variedade linguística desde o mesmo título, uma frase que a autora mal-interpreta (não vamos estripar para que leiades) por desconhecer a fala do lugar. A autora entra-nos na aldeia de Vilar de Bande perguntando-se polo nome das cousas: “como dicides aí a pranar as patacas?”, e durante todo o texto assomam palavras novas, descobertas, maneiras de dizer que a ela chamam a atenção e a levam às suas vivências no Além, lá em Lalim. A atenção à palavra, a escuita atenta, a ânsia de colocar o il e não o ele vem dada pola necessidade de ser fiel às outras vozes. E nesse ser fiel chega a decisão de introduzir texto em castelhano, porque assim falam algumas, a Manuela que enviaram às Josefinas de Ourense a estudar e riam dela por falar galego. A Manuela que enviaram às Josefinas porque a mãe estava na Venezuela. E damos com o fio real que une todo o conto: a dor intemperiada das meninhas abandonadas da emigração: “Así se explicou a muller que aínda leva dentro unha nena dorida que pode com ela. Hai moitas maneiras de sentirse en familia. Con Manuela volvinme sentir na miña casa. As feridas lingüísticas contra unha criatura cicatrizan mal”. 

E liguei esta dor encarnada, e a ledícia genuína de dar com alguém que pode percebé-la, porque isso acontece em Tu existe, com o Tríptico do Silencio. À intemperie, de Brigitte Vasallo. 

Outra vez um texto híbrido, um texto multilíngue, um palimsesto em que emergem as vozes múltiplas das outras: as filhas da emigração.

A autora utiliza uma figura mitológica para nos situar: a Ariadne abandonada em Naxos, um lugar que não é o seu. A Ariadne que não pode voltar a Creta porque atraiçoou a família, a classe, a origem; a Ariadne que não pode instalar-se em Atenas porque Teseu não a quer, porque as atenienses não a aceitam: Ariadne à intempérie. 

O Tríptico do Silencio traz-nos a dificuldade, a impossibilidade de falar aquilo que não toca. E a dificuldade de não ter língua para isso: que faz a migrante? Usa a língua do país de chegada? A que lhe aprenderam pai e mãe sem ser deles? A de pai e mãe, que nunca lhe aprenderam? Como contar? Quando? A quem importa o que tenha que dizer uma txarnega? A quem importa o que tenha que dizer uma retornada de verão? Nem a Galiza nem a Catalunya dão abrigo. Instalemo-nos em Naxos e falemos em um falar novo, intemperiado. 

Em aparência, o Tríptico do Silencio, é uma obra tatral: Ariadne fala, em monólogo e reflexiona para o público sobre a sua identidade, sobre as suas experiências como filha de migrantes. Porém, o livro conta com enjertos, necessários para lhe dar força ao resultado: depoimentos de outres filhes da emigração, que partilham com a autora as suas experiências (impactou-me em especial o testemunho de María Ptqk). 

E encontramos algo que lemos também no Tu existe, e que visionamos no documentário Andoriña. Muller de ida e volta, de Cristina Pascual, sobre as experiências migrantes das suas vizinhas de Maceda: o silêncio absoluto das protagonistas. Quase todas admitem não ter enunciado aquilo que as marcou das suas experiências como migrantes, como filhes de migrantes. Quase todas ficaram na intempérie, incapazes de partilhar a nena dorida que levavam dentro. 

Eu non quero reparación, diz Brigitte Vasallo, quero vinganza. Porque isto que nos aconteceu a nós non é reparable.

E eu reflexiono. E dou-lhe voltas à questão da língua. À questão do lugar. Na sorte que gozamos aquelas que temos língua e lugar. E no espaço, brando e quente, que lhe devemos, no nosso sistema literário, àquelas que chegam da intempérie. 

Porque as feridas linguísticas contra uma criatura cicatrizam mal.


Luz Pichel: Tu existe.

Ilustrações de María Puertas 

La uña rota & Crémilo 2023. 


Brigitte Vasallo: Tríptico do Silencio. Á intemperie.

Ilustrações de Tonina Matamalas

laovejaroja 2023









venres, 1 de marzo de 2024

María Reimóndez está lendo Yellowface de Rebecca F. Kuang


O punto de partida do relato de Kuang é a morte dunha autora asiático-estadounidense por accidente e do roubo por parte da súa "amiga" Juniper do manuscrito que ten enriba da mesa, que acaba publicando como propio. A novela é un delirio contado pola propia Juniper na que se fai unha acertada crítica ao racismo no mundo literario. Dende a voz da narradora branca, o discurso transfórmase en actos cada vez máis agraviantes. Para min esa parte é a máis interesante, esa presentación dunha voz narradora totalmente arrepiante na súa normalidade, nos seus delirios de grandeza e na falta total de consciencia do que é vivir nun corpo non branco. Se ben é certo que logo me pareceu que quedaba algo debilitada por outros aspectos (trama por veces un pouco collida polos pelos ou cousas que quedan sen resolver polo camiño) penso que é unha lectura importante para as persoas brancas, sobre todo para aquelas que nos movemos nos mundos da escrita, mesmo se nos nosos non hai contratos de seis cifras nin poxas polas nosas obras, claro está.

venres, 19 de xaneiro de 2024

María Reimóndez está lendo... The left hand of darkness de Ursula K. Le Guin


Adoita facerme especial graza o labor dalgúns críticos que se emperran en asignarme lecturas que non teño e que supostamente inflúen na miña escrita. Unha cousa son as conexións que a persoa que le establece coa súa propia bagaxe, un aspecto marabilloso da lectura, e outra estas teimas de señorOs. Cando publiquei Cobiza houbo algún que se gabou en publicitar os libros nos que eu me inspirara (sen falar comigo endexamais, poderes!), a obra de Ursula K. Le Guin figuraba entre esa selección. Porén, ata día de hoxe eu non lera nada dela.

E, sinceramente, é unha desas autoras ao redor das cales entendo que haxa interese, mais que a min, como lectora, non me interesan. O tipo de ciencia ficción de K. Le Guin segue unha estela demasiado masculina, cos homes no centro (neste texto, nun mundo novo con seres humanos hermafroditas, todos son "el") e cun afán descriptivista que me lembra unha certa antropoloxía da que tamén sospeito.
Non teño ningunha dúbida de que este texto, no que un enviado viaxa ao planeta Inverno para convencer os seus dirixentes de que se unan a unha especie de federación pacífica, será de interese para moitas lectoras. Tampouco dubido de que, en comparación con moitas cousas que se escriben de ciencia ficción, a súa calidade en canto a lingua e manexo de rexistros é excepcional. Mais comigo non conectou, cousa que tampouco lle detrae ningunha virtude.

xoves, 14 de xaneiro de 2021

Un ceo cheo de esperanza, por Eli Ríos


Llévame al cielo de Carla Guelfenbein comeza un día de celebración en que "Yo soñaba con poder volar como él algún día. Contaba los tirabuzones de papá, «uno, dos, tres, cuatro», luego sus emprendidas que surcaban las nubes, para desaparecer entre ellas y volver a asomarse formando nuevos bucles y arabescos contra el fondo azul, mientras a mis espaldas oía los vítores, los gritos de exclamación y los aplausos. Ese día papá desplegó todas las piruetas que su viejo Bücker le permitía, mientras el sol descendía haciendo que todo a su alrededor brillara, como si la luz surgiera de su pequeño avión" (páx. 16). E todo remata, ou mellor dito comeza, cun accidente aéreo. Todo cambia. Un segundo, un instante que transforma o futuro.

Emi, a protagonista, séntese responsable da traxedia e tenta suicidarse. A súa familia, entón, decide ingresala nunha clínica, Las Flores, para que asista a unhas consultas médicas. Alí "lo que más me reconfortaba era la noción de no ser la única chica en todo el planeta que había intentado quitarse la vida"(páx. 27). E é aquí, neste "centro de rehabilitación para persoas novas que sofren trastornos mentais", onde coñece outras persoas con reflexións sobre a "normalidade" e sentimentos   semellantes aos dela.


Tal vez constituimos el grupo de chicos a quienes les falta una tuerca. Algo que a primera vista podría parecer una desventaja, pero que a la larga nos hace ser quienes somos (páx. 30)


Las Flores non é unha simple localización. Os espazos ( o Casino, la Sala del Humo, etc), os tratamentos, as horas das pastillas,..., convértense en reclusión e en refuxio ao mesmo tempo.


Lo real era lo que nosotros hacíamos real. ¿Quien podía decir que no lo fuera? Ahí dentro la línea entre lo imaginado y lo vivido desparecía, y aunque el encierro tuviera un alto costo, la nuestra era al fin y al cabo una forma de libertad. Podías inventar tu vida. (páx. 35)


Pouco a pouco imos coñecendo as historias de Domi, Clara, Gabriel, Gogo,..., dunha forma natural na que ninguén pregunta sobre as vendaxes nos pulsos ou sobre as cicatrices na cara. Á narradora non lle interesa o morbo, non. Nin sequera cando "presenciamos" un asasinato homófobo. A narradora foxe da recreación na dor e aléntanos (a nós e ás personaxes) a procurar solucións. Alenta unha narración cargada de simbolismos cara un futuro mellor. E iso só é posible se empatizamos coas persoas protagonistas, se entramos no seu desgarro emocional. Para conseguilo mergúllanos no día a día das personaxes, nos seus sentires e todo cunha precisión e unha linguaxe tan coidada que case nos transporta a esa cadeira na horta onde laretan durante horas. Esa cadeira en Lemuria.

Lemuria é como lle chaman ao anaco de terra, no xardín de Las Flores, en que tratan de facer agromar un cultivo, pero tamén o lugar en que se sospeita que caeu o avión de Amelia Earhart cando tentaba dar a volta ao mundo. E, así, esta viaxe aérea acaba por converterse, nesta novela, nunha protagonista máis. Ela e todas as mulleres que a historia quixo borrar.


... le digo que recuerde a Margot Duhalde, la chilena que piloteó aviones de combate en la Segunda Guerra Mundial y que fue nombrada miembro en la Legión de Honor Francesa; y también a Graciela Cooper, quien, a los diecinueve años, recibió su carné, volando un De Havillan Cirrus de 1930 con un motor que apenas levantaba el avión. (páx. 227)


Voamos con todas elas ao longo das páxinas ata chegar a un ceo aberto cheo de esperanza en que, como di Emi,  así " Nos veo a todos Afuera y sanos. Gabriel, Clara, Domi y yo." Entón, pechamos a última páxina e chega o momento de prender motores, deixarse ir entre as nubes e procurar a nosa Lemuria.





 Llévame al cielo, Carla Guelfenbein, Nube de tinta, 2018





 





xoves, 19 de novembro de 2020

O coñecemento comeza no asombro, por Eli Ríos





A verdade é que este libro estaba na morea das lecturas pendentes e sempre había algún que lle pasaba por diante. A idea de ler unha historia sobre adolescentes que participan nun campamento para "desengancharse" das novas tecnoloxías non soaba así moi apetecible. Na miña cabeza xa imaxinaba todo un discurso para demonizar os móbiles e contarnos que terribles son as redes sociais. 


- Pareces una de esas personas que creen tener todas las respuestas- murmuró, mirando a Beatriz con aire pensativo-. Y eso es peligroso, créeme. Todos ignoramos más cosas de las que sabemos. Reconocer la ignorancia es el primer paso para combatirla.

- Oiga, yo sé lo que sé- se defendió Beatriz.

- O quizá crees saber algo que en realidad no sabes...


E, así, cunha losqueada filosófica fina esquecín todos os "para's" que lle apoñía ao libro polas capas para compartir este campamento con Lía e coñecer as persoas que a acompañan nesta aventura a través dos seus ollos e do seu asombro. Para sentir esa rabia de " una tormenta encerrada en el cuerpo de una persona" e gozar da súa transformación a enerxía creadora.


Nesta obra non hai "para's" didácticos ou sentenzas irrefutables, non. Hai preguntas, preguntas e máis preguntas que non teñen respostas unificadoras. Cada quen escolle a súa. Este é un campamento filosófico en que as cuestións da filosofía desde a Antiga Grecia ata a actualidade procuran unha aplicación actualizada, en que cada quen dá, de forma persoal, o primeiro paso para combater a ignorancia non só no nivel do coñecemento senón tamén no persoal e vivencial.


Pero non era unha obra para falarnos de persoas adolescentes enganchadas ás novas tecnoloxías? Era. Si, pero a estas alturas da trama tanto as protagonistas como as lectoras esquecemos a wifi e as conexións porque temos outras preocupacións que nos afectan moi seriamente. Alguén está asasinando paxaros e déixaos no campamento, quen é? Por que desapareceu a encargada? Por que aparecen, día si e día tamén, persoas que representan papeis de filósofos e filósofas? Que está acontecendo neste cantil de Menorca no que só viven burros e paxaros? A narración xa nos "enganchou" de tal forma que nin lembramos as notificacións do instagram ou do whatsapp.


Gustaríame facer un spoiler e contarvos algunha cousiña dese final sorprendente e cheo de miga, pero vou termar das ganas. Aínda así, e antes de rematar, si vou facer un apuntamento sobre dúas personaxes secundarias porque me parece marabilloso o tratamento por parte da autora: os cociñeiros nepalís.


Nun primeiro momento nin sequera teñen nome. Simplemente están alí como curiosidade exótica, ou iso pensa a rapazada, e falan inglés. Esta lingua colonial é moi curioso observar como non serve de ferramenta de comunicación xa que son as dúas únicas persoas que se manteñen en todas as accións e coas que a rapazada apenas se comunica. Ademais, son quen teñen os privilexios! O único teléfono fixo que hai en todo o campamento está no seu cuarto e son os que poden conducir o único vehículo que os une á "civilización". Só a presenza dos cociñeiros a modo de espello mudo é un auténtico revulsivo na narración. Segundo avanza a trama Chandra e Rajiv, os cociñeiros, irán adquirindo máis importancia na trama e non porque cambien as súas actitudes senón porque cambia a mirada, e o sentir, de quen nos conta a historia.


Quizais, todas sabemos que Utopía, como di a protagonista Lía no comezo, é un lugar físico que non existe, pero paga a pena debullar estas páxinas na procura dunha utopía menos tanxible, aínda que máis real.


Alonso, A., Utopía, Anaya, 2019