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Amosando publicacións coa etiqueta rosalía de castro. Amosar todas as publicacións
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sábado, 17 de xaneiro de 2026

Fazermos as perguntas ao caso por Susana S. Arins





Acho que foi o ano passado. Participei em um roteiro pola cidade das mulheres de Encarna Otero Cepeda, quer dizer, pola Compostela das mulheres. Fizemos parada diante do antigo Hotel Suízo e Encarna Otero contou que foi aí onde se instalou Ruth Matilda Anderson nas suas viagens pola Galiza, e mostrou as fotografias do quarto do hotel virado laboratório de revelado e mostrou também a ausência de recordo público da estadia da Anderson e reclamou a tradução da sua obra. Foi aí que soubem da existência do Gallegan Provinces of Spain. Pontevedra and La Coruña da autora norte-americana. E fiquei pampa com o feito de não existir tradução da obra ao galego, mesmo havendo hoje em dia no nosso sistema editoras especializadas. 


Porém, a minha surpresa ficou aí, naquela tarde, naquele roteiro, prendida no ar. 

A mesma surpresa viveu, no seu outro contexto pessoal, Alba Rodríguez Saavedra. Só que ela não deixou voar o assombro, bolha a flutuar até se perder, é mais, fez desse assombro curiosidade e da curiosidade a pergunta certa: por que o ensaio de Ruth Matilda Anderson continua ausente do repertório bibliográfico na nossa língua? (pág. 21). E a esta questão primeira acrescentou um outra que lhe prói ainda mais: é essa ausência intencionada? Por quê?

Todo o ensaio de Rodríguez Saavedra, Ruth Matilda Anderson. Tradutora das marxes1 é a
narrativa da procura de uma(s) resposta(s) a estas perguntas. Nos capítulos que lemos acompanhamos as pesquisas da autora para confirmar hipóteses ou desmenti-las, acompanhamos também as suas dúvidas e somos testemunhas das suas retificações, pois não sempre o caminho escolhido é o mais adequado. 

E este acompanhar à ensaísta leva-nos a acompanhar, há um século, a viagem de Anderson pola Galiza: atendemos aos preparativos, à organização da equipagem, à viagem transatlântica, à instalação por dous anos nas nossas terras; sentamos com ela a estudar galego e a laiar-se da luz difícil deste país; somos testemunhas das suas conversas com as mulheres que fotografa e das que recolhe a voz. Toda a leitura deste livro é uma dupla viagem: pola impressionante atividade de uma intelectual do século XX e polo processo de silenciamento da atividade de uma inteletual do século XX evidenciado por uma intelectual do XXI.


Começa Rodríguez Saavedra por analisar o ensaio de Anderson para calibrar-lhe o interesse: a americana explica o mundo rural galego para as leitoras do seu país, colocando o foco do seu olhar nas mulheres (“En Galicia por cada cinco mulleres había un home”, pág. 43) e nas crianças. Dá conta dos muitos trabalhos que estas realizam e com o que mantêm a economia local. Para dar apoio às suas observações recorre à tradução de textos da literatura galega, fazendo unha escolha clara: protagonizam as suas referências Rosalía de Castro e Emilia Pardo Bazán. Elas. Não foi Anderson a primeira tradutora ao inglês de Rosalia de Castro (corrige-se nisto a autora) mas sim a que mais textos dela traduziu por muitos anos. Só por isto seria importante o seu ensaio. Porém, há outro elemento que o faz importante: Anderson atende, escoita e recolhe a voz das mulheres anónimas que retrata. Todos estes elementos, que fazem doGallegan Provinces of Spain. Pontevedra and La Coruña uma obra de importância que merece estar traduzida são, a olhos de Rodríguez Saavedra, os mesmos que provocaram a sua invisibilização e silenciamento. Porque colidiam com os interesses da elite intelectual galega da altura, que não via mulheres empobrecidas na sua paisagem quotidiana. 

As traduções de Anderson dos poemas rosalianos não aparecem nos registos dos anos posteriores. Antes de decidir que esta elisão é intencionada, Rodríguez Saavedra desbota todas as possibilidades: desconhecimento da autora por parte das elites galegas (não), falta de acesso aos documentos da Hispanic Society (não), ausência de conhecimentos de inglês (não). Só resta uma possibilidade: não a citaram porque não quiseram. 

Faz o mesmo com a possível impossibilidade de uma tradução da obra ao galego. Há doutras autoras estrangeiras (Annette M.B. Meakin, Catherine Gasquoine), não há problema de direitos de autoria ou de acesso, há editoras. Não traduziram porque não quiseram. 

A partir da exposição fotográfica de 2008 Unha mirada de antano, Ruth Matilda Anderson passou a ser conhecida por um amplo público. Mesmo assim continua sem ser traduzida. Para consegui-lo foram utilizadas todas as estratégias de ocultação e minusvaloração das outras: a redução da importância da sua obra ou do seu trabalho (foi só fotógrafa), colocá-la em situação de dependência de um homem (o seu pai), outorgando a ele a parte valorosa do trabalho, deturpando a sua mensagem, etc. 

A conclusão da pesquisadora é que o feito de Ruth Matilda Anderson não estar traduzida ao galego não é uma casualidade, mas uma ação intencionada por ser uma autora que choca com os interesses masculinista-universais das elites, ao retratar “un país de mulleres e infancias invisibles a ollos da intelectualidade galega masculina que xunta a elas vivía” (pág. 24), e a quem mesmo hoje põe em evidência.

E depois de ler, somos nosoutras quem também dizemos:  queremos o  Gallegan Provinces of Spain. Pontevedra and La Coruña de Ruth Matilda Anderson traduzido ao galego!!

1Laiovento, 2025.

martes, 12 de maio de 2015

Não che digo nada... pero vaia!

Imaxe: A Sega
 
Por Susana Sánchez Aríns
 
Esta recensão é toda ela um spoiler continuado, assim que se queredes ler o romance, o ponto que segue é o do abandono.

Há leituras que uma faz mais por curiosidade que por prazer. A memoria da choiva é uma delas. A sinopse não me chamava muito, e mesmo nos últimos tempos não é o gênero romancístico o que mais tira de mim. Porém aparecia Rosalia reloaded, segundo lim em críticas e entrevistas, todas louvadoras. Rosalia de Castro, entenda-se. E entrou-me o becho no corpo. Qual será a revisão que o autor faz da poeta? Dará-lhe uma reviravolta à já tradicional imagem santigadora? Buscaria superar tópicos e prejuízos? Essas eram as perguntas que me picavam na pele. E lim.
Isto é importante, eu adoro o policial, o gênero negro. O modelo argumental do quem, como e por qué? é dos meus preferidos como leitora ou espetadora. E a deceção chegou nas primeiras páginas. Ou, não! Another maldito no maínço! Resultou-me tedioso, sobretodo tedioso, dar com um protagonista fracassado-mete-patas-borrachuças-abandonado-pola-mulher-que-finalmente-resolve-o-crime. Ains, outro? Até é fumador... que topicamente politically incorrect! Pede-lhe ajuda um polícia amigo, porque valora a sua esperteza especial, que ninguém valora, e menos o animal que tenhem por comissário. Sim, outro chefe rude, insensível e precipitado nas conclusões. Tédio. Ah, e não perdades a dama que lhe apõem ao galão: se ele é um falhado jornalista, ela é uma inteletual ressabida... que ele, anti-herói fatal, salva no último minuto. Nããããããooooo!
O romance conta as pesquisas de Aquiles Vega por resolver uma série de assassinatos ferozíssimos na cidade de Santiago de Compostela. Uma resolução falhida, do meu ponto de vista, porque não é bom que as leitoras achemos a solução das adivinhas antes que o protagonista. O autor deve ter a mestria de semear pistas falsas que nos confundam. E aqui não é o caso. O primeiro morto aparece, mira ti, com um cravo cravado no coração, e o pobre de Aquiles Vega, que não deveu fazer a ESO, mas o antigo BUP, bota uma cheia de páginas pensando quê lhe recorda esse cravo cravado no coração. Tumbada no sofá, a ler, tinha vontade de berrar-lhe: Rosalia, burrancão, Rosalia!! Ainda que é bem certo que igual o problema é meu, que sou uma ressabida inteletual.
Nos comentários das personagens, nas vozes que o autor coloca nas suas bocas, assoma de contino a machistada e o preconceito. Sim, já sabemos. São as personagens assim, machistinhas elas, não o autor, mas como sempre, sem uma outra voz irónica ou uns factos que desmentam as palavras enunciadas, permitindo-nos ler entrelinhas, não podemos outra cousa que associar discurso e ideologia. A segunda assassinada, suposta suicida à primeira vista, “non é mais ca outra muller a agardar pola primavera”. E não se fale mais. Que levante a mão a mulher que recém chegada à casa após uma molhadura universal mude de roupa e ponha “uns trapos con máis anos enriba dos que podía recordar e moi pouca puntuación no campionato mundial do sex-appeal, pero mira, aquí tampouco había ninguén para se fixar niso...” Buuuf! Como pode ser tão superficial o monológo interior duma personagem (feminina, claro)? E que dizer da construção da personagem de Dorian, homossexual teatralmente amanerado e provocador, que lança olhadas de “víbora que só as mellores e máis experimentadas reinonas saben botar”? Ele não pode ser o assassino porque em troca de sangue, circula nas suas veias a bandeira gai. Literal. Que heteronormativo todo. Mui, mui, mui tedioso. Muito.
Com estas vímbias cada vez aguardava menos daquela revisão rosaliana que activou a curiosidade leitora. E já bom foi, porque de revisão, nada.
Um dos elementos configuradores do mito rosaliano foi a [de]construção da sua [não]biografia. Ocultar dados considerados no seu momento imorais ou centrar neles a edificação duma figura triste e choromiqueira: Rosalía, minha pobre, tinha um trauma ghordíssimo porque era filha de solteira. Por exemplo. Superar este biografismo para se centrar no estudo dos textos e na análise do seu contexto histórico, social e político, sobretodo social e político, foi um dos grandes trabalhos dos estudos literários, onde, claro é, tiveram especial importância as achegas feministas. Faz alusões a trama a esta situação, na que “Rosalía é unha especie de totem, algo case intocable. «Rosalía é nosa», berraban hai anos pola rúa. Como Castelao, como a nosa Terra, como o propio idioma... Como tantas e tantas cousas que á fin acaba por non se saber demasiado ben a quen lle pertencen realmente...”. A tese deste romance, como bem afirma Aquiles é clara: de quem vai ser Rosalia? pois da gente. Do comum. Nunca dos inteletuais.
E resulta que toda a trama deste romance vem a questionar a biografia rosaliana para acrescentar, não uma leitura alternativa, não uma visão mais popular, não uma outra possível interpretação, mas, ouh posmodernismo!, uma nova biografia, uma nova velha moralina em argumento de telenovela. Um autêntico “fora as vossas sujas mãos de Rosalia... que me toca a mim”. Gala, a última filha foi mãe solteira que abandonou a filha, forçada por papá Murguia, para não sujar a santidade de mamá tropeçando na mesma pedra das silveiras, e a filha da filha teve outra filha dum marinheiro chegado de além-mar, também de arrimo. E esta filha, crescida na raiva e no ódio, um filho. E eu já me perdim. Enfim, o assassino é o tataraneto de Rosalía, que só quer ver límpida a figura da sua mamá (Rosalia, sim: o mau também é o tipical psycokiller com complexo edípico-freudiano). Ei, que andam a sujar a imagem da santinha!
Era necessária esta genealogia para justificar uns assassinatos? E não avundava com colocar uma fã desnortada? Para que executar um pseudo-psicanalista porque chama a Rosalia de Castro suicida? A boa hora! Uma das cousas que me parecem mais incríveis é que a vingança se desate no violentos anos dez: acorda-lhe com 100 anos de atrasso! Quiçãs era mais interessante colocá-la nalguma etapa anterior da nossa filologia, quando sim estava vigente toda essa moralina. Mesmo se matasse feministas era mais verosímil...
Enfim, desconheço onde a novidade deste romance.
E aí vem-me a vontade de reflexionar: percebemos certa obsessão por encher baleiros na literatura galega. Há quem concebe o nosso sistema literário como defetivo, um espaço no que faltam elementos. E devemos creá-los para normalizar a situação: ai que não temos best-sellers, ai, que falta um bom folhetim; ai, que ainda ninguém fez uma trilogia de ciência ficção com máquina do tempo de por meio. E nasce a necessidade.
Está visto que o autor quis fazer um romance de gênero. E a minha pergunta é justo essa: temos necessidade? De verdade precisamos um policial com amargoso detetive e sexista? È-nos imprescindível contar com um outro psicópata de aparente e dupla vida normal e apoucada? Vai ser mais importante, mais universal a literatura galega? Não estamos, pola nossa condição de literatura não hegemónica, na melhor das situações para subverter e questionar a construção dos gêneros, em todos os sentidos da palavra?
Assim que aproprio-me da consigna e berro, bem alto: fora as vossas sexistas mãos de Rosalia!

Pedro Feijoo: A memoria da choiva.
Edições Xerais. Vigo 2013

luns, 25 de marzo de 2013

Non máis tecermos soias as nosas teas

María Reimóndez

Por María Reimóndez

Adoita ser habitual nos estudos da literatura tentar agrupar as escritas conforme a unhas etiquetas sistemáticas que busquen puntos en común e permitan estudar e tirar sentido dos textos literarios nos seus múltiples contextos vitais. Adoita ser habitual tamén que nesas agrupacións e percorridos a presenza das autoras quede reducida, no mellor dos casos, ao anecdótico. As autoras e as nosas obras, polo que parece, semellamos ser orfas dos nosos tempos, sexan estes cales sexan. A literatura galega e máis en concreto a historiografía non foi allea a estes procesos chegando a producir fenómenos tan curiosos como a eliminación da historia de Néveda de Francisca Herrera Garrido, que dialoga directamente con Maxina ou a filla espúrea, de Valladares, como ben sinalou a teórica Kirsty Hooper, ou o “fenómeno” das chamadas poetas dos 90, amplamente estudado por Helena González, sempre nun curioso illamento, como se a eclosión das voces das mulleres no poético para reclamar os nosos corpos saíse dun nada ermo e espontáneo. Isto por mencionar só dous exemplos. Fronte ás visións da historiografía literaria patriarcal tan adepta ás “xeraciÓns” e, como dicían as Guerrilla Girls, a meter ás mulleres nun apéndice, a crítica feminista foi desenvolvendo unha serie de ferramentas de maior complexidade para intentar analizar e contextualizar os textos literarios cos seus tempos. Unha das ferramentas críticas máis importantes neste sentido foi a chamada xinocrítica, iniciada en occidente por Elaine Showalter e que nun principio analizaba a escrita das mulleres como unha tradición literaria en si. Esta corrente foi logo criticada por esencialista, dado que loxicamente non por ser muller unha pertence a ningunha tradición en concreto, pero si abriu novas interpretacións e interrogantes á hora de establecer cal é o lugar das autoras no canon, na crítica e nas historiografías.

Grazas á xinocrítica podemos hoxe analizar como as mulleres, igual cós homes, crecemos nunha tradición literaria patriarcal na que se dá valor a certas formas de escrita, contidos e temas. Isto leva a que, ao longo da historia e na actualidade, moitas mulleres buscasen escribir segundo os cánones patriarcas establecidos para obter o beneplácito do sistema literario. Mais o importante da xinocrítica foi visibilizar as tradicións subversivas das autoras que se negaron a seguir eses criterios de valor e as relacións que se entretecen entre os seus textos, algo que escapa do concepto “xeración”, moi medido en escalas temporais, e tira máis do de “tradición literaria” como pertenza consciente a un colectivo que vai confeccionando un patchwork diverso pero a fin de contas a mesma peza. 

En Galicia a escrita subversiva da tradición conta co caso senlleiro de Rosalía de Castro, que no seu tempo escribiu xa fóra do que se consideraba literariamente “de calidade”, con formas que levaron a denominala “tardo-romántica” ou a desbotar a súa obra en prosa por “panfletaria” ou “sentimental”. A súa escrita, por moitos intentos de apropiación, algúns deles extremadamente recentes por desgraza, está tamén enmarcada dunha forma grandemente consciente nesa tradición subversiva mediante o recoñecemento dunha xinealoxía á que fai referencia mediante prólogos e citas. Contar cunha xinealoxía é vital para o presente porque sen referencias, tecemos unha e outra vez soias a nosa tea, como unha penélope torresiana que tamén navegar pero sen tripulación nin cartas mariñas. Na nosa literatura queda un traballo de xinocrítica fundamental por facer pois son moitas as excluídas e orfas ou as introducidas en apéndices, dando sempre a sensación de que “non hai”. Mentres este traballo non se faga a nosa literatura, no canto de ser un patchwork poderoso e colorido, en diálogo cunha sociedade lectora, non pasará de ser o triste funil duns poucOs.