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xoves, 31 de agosto de 2017

Todas as pessoas teríamos que ser feministas, mesmo as tradutoras por Susana Aríns

Fotografía Paula Gómez del Valle

Todas as pessoas teríamos que ser feministas, mesmo as tradutoras.

És feminista?

Sim
Não
Bom... / Imos ver... / Que percebes por feminista? / Sim, mas… / Eu sou humanista. / etc

Se a tua resposta é sim, quiçá o opúsculo Todos teríamos que ser feministas não seja para ti. Mesmo se respostas não podes escusar a leitura (para que? Também não estarás a ler isto, provavelmente). Mas se fazes parte no terceiro grupo, no das pessoas reticentes a dizer de boca cheia, Sim, sou feminista, embora sensíveis à questões de género, este sim é o teu livro.

Chimamanda Ngozi Adichie preparou uma palestra TED para explicar o feminismo a pessoas não feministas. E o texto dessa palestra, minimamente adaptado, foi publicado posteriormente. Gozamos da vantagem de poder ler o texto e escuitar a autora, que o modula e matiza com as suas pausas, silêncios e inflexões.

Ngozi Adichie faz um recorrido vital por momentos e experiências pessoais com os que justifica a necessidade do feminismo. Começa com o próprio conceito, feminista, que ela percebeu por vez primeira recebido como insulto. E evoca cada um dos encontros com essa palavra até chegar a se definir como uma “feminista feliz africana que não odeia os homens e gosta do batom nos lábios e dos saltos para ela mesma e não para os homens”. Já neste introito damos com uma das armas da autora para ganhar às leitoras: o humor. 
 
Pequenas anedotas funcionam com novelos a partir dos quais, desemburulhados, são tecidas reflexões sobre o que é a vida diária de qualquer mulher em qualquer lugar do mundo. Porque se pensávamos que Ngozi Adichie só ia reflexionar sobre A Mulher Africana (nigeriana, em todo o caso), ela coloca por entre os exemplos as suas amigas americanas, europeias. E se pensávamos que só ia reflexionar sobre A Mulher Universitária, ela coloca por entre os exemplos as suas amigas universitárias, sem trabalho, proletárias, sem estudos. E se pensávamos que só ia reflexionar sobre uma questão concreta, consegue tecer um tapete que recolhe infância, mundo laboral, maternidades, adolescência, afetos, educação, velhice, estudos… Cada apartado é o pé para uma conversa, um debate, um, e eu? E todo isto em cinquenta breves páginas. É por isso uma obra especialmente interessante para o trabalho em salas de aulas.

Uma das principais preocupações da autora é fazer ver o que vivemos e sentimos as mulheres no dia a dia, os subtis ataques quotidianos à nossa identidade de género. Desbota a teorização (aborreceu os “textos clássicos do feminismo”, pag. 16) e opta pola sensibilização. Ela mesma o afirma: “unha cousa é saber algo no plano intelectual e outra sentilo no plano emocional” (pág. 25). Assim, oferece-nos esse plano, o emocional. Quem queira continuar a aprender, ou a desaprender, como propõe, só tem que seguir a pensar e a buscar.

Porém, lendo este opúsculo, sentim-me uma feminista feliz galega que não odeia os homens e gosta do batom e dos saltos só no antroido e que raiva quando lê mal traduzidas feministas felizes africanas que não odeiam os homens e gostam do batom nos lábios e dos saltos para elas mesmas e não para os homens.

A própria autora dá importância brutal ao uso não discriminatório da língua. Lembremos que começa o seu discurso reflexionando sobre a palavra feminista e os seus usos. E se atendemos ao texto original em inglês, tem um especial cuidado na escolha dos nomes, buscando os neutros para universalizar e só, só, recorrendo a masculinos e femininos quando quer pôr em destaque o género duma pessoa em concreto porque é pertinente para o que vai narrar. Fala de “children” para a generalidade da infância, mas utiliza “boy” e “girl” quando quer narrar experiências diferenciadas para meninos e meninas. Mesmo recorre a duplicados para enfatizar: “both, the boy and the girl”. Reparemos no título: We Should All Be Feminist. Gostava eu de saber onde a marca de masculino na escolha da autora. Por isso não percebo por quê, havendo opções mais respeitosas1 com a forma e o fundo do texto, não foram elegidas polo tradutor. 
 
Todo o que encontramos ao longo do livro é uma falta de critério claro no uso de genéricos e masculinos, o que induz a confusões na leitura: justo isso que nos provoca no dia a dia às mulheres o uso machista da língua. A autora sai em Lagos com “os seus amigos” (pág. 20), e lemos o trecho todo sem acabar de saber se entre os amigos há ou não mulheres, se em Lagos as mulheres não saem e só o faz ela ou se esse “os amigos” as inclui a todas. Claro, no original, ela utiliza o termo “friends”, que bem podia ser traduzido por “amizades” para evitar-nos o sarilho. Porque mais adiante centra-se a autora na educação dos meninos, e aí sim, aí sim que fala só deles, dos “boys” (pág. 30). Só que nós temos que continuar a leitura até deduzir isto, porque o neutro é masculino e o masculino é neutro e o masculino é masculino e o masculino é universal e o universal nunca é mulher. 
 
Mesmo há, por vezes, uma masculinização abusiva por inecessária: onde a autora utiliza “some people”, que pode literalmente ser traduzido por “algumas pessoas”, o tradutor opta por “algúns”. Chega a colocar a autora enunciando-se em masculino, cousa que nos choca e parece quase impensável: “nalgún momento todos pensaremos” (pág. 19), “o que era obvio para min non o era para todos os demais” (pág. 20), “Todos teríamos que sentir xenreira” (pág. 25), “Todos somos seres sociais” (pág. 34), “aqueles que o quixemos” (pág. 49), e assim por diante. Como dizia aquela propaganda, ela nunca o faria. Mesmo outros são conscientes de que há outra maneira de fazer2.

Porém, se algo choca em mim como maço de ferraria, é a tradução de “gender” como “roles de xénero”, sobre todo tendo em conta que o conceito feminista galego nasce do inglês. Sim, em galego podemos escrever género com o significado de papéis, comportamentos, atividades e atributos socialmente construídos que uma determinada sociedade considera apropriados para homens e mulheres"3. Os “roles de género” são só um elemento mais da definição.

Só duas explicações encontro a tal despropósito: ou a ignorância ou uma intencionalidade ideológica4 que busca apropriar-se, matizando-o e suavizando-o, de um discurso feminista de, vaia por deus, uma autora na moda5. E qualquer das duas possibilidades implica um desrespeito total à autora e a todo o seu leitorado. Violenta-se o discurso (feminista) de Chimamanda Ngozi Adichie, distorsionando-o e, portanto, negando-o.

E claro, as feministas felizes galegas que não odiamos os homens e gostamos do batom e dos saltos só no antroido unicamente podemos sentir xenreira. Mas não há problema, porque como bem diz Chimamanda Ngozi Adichie, a xenreira tem um longo historial como detonante de mudanças positivas.

Vamos pensar em quais… 

 

Chimamanda Ngozi Adichie: Todos teríamos que ser feministas
Tradução de Moisés Barcia. Sushi Books 2017.

Chimamanda Ngozi Adichie: We Shoud All Be Feminist
Palestra TEDxEuston. https://www.youtube.com/watch?v=hg3umXU_qWc


1Todas as pessoas teríamos que ser feministas, todo o mundo teria que ser feminista, por exemplo.
2 Cualquier intervención del traductor que fuera en dirección a esta corrección política en cuestiones raciales, de género u otro tipo, sería inmediatamente modificada por los correctores de la editorial pertinente. Por ejemplo, hace un par de años yo traduje un libro titulado We Should Be All Feminists, la traducción del título ya encerraba una trampa de por sí. La traducción correcta en mi opinión sería "todo el mundo debería ser feminista", pero la traducción correcta según la RAE, que considera que el masculino es el género no marcado, hace que ese libro cuando salga a las librerías se traduzca como "todos deberíamos ser feministas". Con esto quiero decir que no creo que haya ningún tipo de presión a este respecto a la hora de traducir.

El fantasma de la traducción. Lorena Paz López entrevista a Javier Calvo. http://www.insulaeuropea.eu/letture/lopez_calvo_es.pdf

3Definição da OMS, organização nada suspeita de feminismo.

4E conhecendo tanto o corpus teórico sobre o tema e a quantidade e qualidade de tradutoras feministas existentes como os antecedentes do responsável com o feminismo e a tradução, penso mais no segundo que no primeiro:  http://www.galicia21journal.org/A/pdf/galicia21_6_reimondez.pdf
 
5Que ela seja a única autora do catálogo com fotografia pessoal na capa é curioso…

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martes, 22 de agosto de 2017

Pechado por demolición por Emma Pedreira

Fotografía de Paula Gómez del Valle


Pasamos a vida mudando. En canto ao externo, mudamos de casa, de cuarto, deambulamos, facémonos nómades. Pero tamén o pelo, as esporas da pel, as súas escamas, os nosos tecidos van quedando ciscados polos lugares que transitamos. No interior tamén hai unha muda constante, natural ou obrigadamente circunstancial. O choque directo do emocional contra a nosa casca fai fenda e, inevitablemente, sofre o de adentro. O entullo, ese material de refugallo, os cascallos desa muda, desa demolición, vén sendo a pegada do que ten cambiado, os restos do naufraxio e os descartes.

Di Lorena Conde (Pontesampaio, 1980) neste seu primeiro libro, Entullo, gañador do Premio de Poesía Miguel González Garcés 2016, que pasamos a vida en dinámicas corporais e mentais de derrubo e reconstrución. Se cadra corpo e mente pasan por estas páxinas en evolución constante, como sempre adoitamos estar (foi Mozart quen cualificou de perfecto o inacabado?, tanto ten, o inacabado sempre tende a querer axeitar a súa incompletitude e morre no intento de acadar esa perfección. Mentres, a ruína reformúlase como abrollo e abrimos novas vías).

A humanización da casa como metáfora do paso desvastador do tempo, ten sido xa obxecto dunha boa chea de versos; de feito, a casa habitable, viva, agoniante ou vouga, é un dos tótems da literatura galega de todos os tempos. Pero até o de agora ninguén optara pola cousificación edificable da pel para falar dos procesos emocionais de desgaste, abandono, ruína e proxección de nova pranta e é Lorena Conde quen deseña en Entullo un plano de obra case teatralizado e propón unha edificación viva e un entorno urbanístico móbil, expansivo e depresivo, respirante, no que encerrarse a procurar unha sanación.

Autora chegada do teatro, como poeta xoga cos procesos internos e externos do desengano e da frustración caracterizándoos como personaxes e facendo dalgúns dos poemas acoutacións completas que edifican un escenario recoñecible, onde o interior e o exterior quedan prefixados como Habitante e Corpo, e a súa némese, Engano, será o desencadeante do movemento que se dá no libro. Electrizante por veces, introspectivo e axexante noutras, Habitante, que semella interna e ferida, trata de vencer a Corpo, rotunda e persistente e ambas, pechadas a Engano, reclúense no doméstico para ir afacéndose ao dano e pendurar, por un tempo indefinido, o cartel de pechado por reforma.

A enfermidade de deixarse ir”

A contrariedade, e enténdase como tal o desengano amoroso, a frustración, a soidade ou calquera outro momento catárquico tendente á soidade curativa é en Entullo unha necesidade de desdobrar o eu en dous planos, físico e psíquico, doméstico e universal, herméticos todos, onde Habitante e Corpo tenden a impermeabilizarse contra Engano. 
 
Aínda que Habitante e Corpo vivan de portas cara adentro para crear un espazo diáfano de reconstrución onde o íntimo e o éxtimo poidan reconciliarse trala invasión de terceiros, o roce e a convivencia do mental e do corporal, dan lugar a unha loita interna que estala a cada pouco. Habitante quere liberarse, Corpo é contida e continente. As pechaduras do fortín construído até que pasen os conflitos son novamente campo de batalla
 
Túmbame de sete con seis graos certos”, porque é mellor reconstruír sobre o sinistro total, partindo de cero, que ir parcheando o deterioro de algo tipificado xa como ruína.

Corpo, cando se volverán soster os ósos licuados?”

Poemas do desamor e do desencanto confiados a unha linguaxe urbanística delicada e forte, como a arquitectura medieval, feita para perdurar e ser embestida, pero tamén para protexer os corpos habitantes contra as feras, os ataques e as bestas e permitir a vida interior, allea a doenzas e males mundanos. Como o Engano, que podería abranguer toda a tipoloxía do que unha persoa teme atopar: erro, desaprobación, soidade, dano. 
 
Medrando ceibas dentro do dano, os brazos de Corpo crean empalizadas sobre a ferida de Habitante que ao tempo se rebela contra a submisión ao calar “ A Habitante en loita /contra o Corpo e contra si”. Coa intención de, no medio do trafego de desescombrar, ir deixando pasar o tempo e a luz como limpeza e, reconciliadas coas cicatrices e os espellos, aprender os sendeiros que non deben volver ser transitados.

Como di Lorena Conde: “Moito coidado con deixarse ir/ ás areas movedizas outra vez”.
Libro de obrigada relectura e prescripción para o post-trauma. Curativo e aloumiñador. Rotundo e terapéutico por espello e conselleiro. Absolutamente perturbador e medicinal.

Conde, Lorena, Entullo, Deputación da Coruña, 2016

O cuarto de Arancha Nogueira




Eu non sei cal é o meu cuarto. Se cadra por iso me custou tanto escribir este texto.
O meu cuarto foron moitos cuartos, e agora é un cuarto, e non sei cando será outro.

De pequecha, o meu cuarto estaba en Ourense, nun piso que agora habitan outros, uns outros que non coñezo, que farán o cuarto seu. O meu cuarto pasou por Madrid, por Porto, por Belfast. Paseou por Arxentina, por Balears, por Andalucía. Agora vive en Compostela. Pero non é o meu cuarto.

O meu cuarto sempre é caos. Supoño que coma min. Hai roupa no chan, roupa nos armarios, roupa enriba dos armarios e debaixo dos armarios. Servilletas con apuntes. Billetes de tren. Como se quixeran recordarme algo.

O meu cuarto é entropía.

Na cama si, na cama son eu. Escribo ás veces. Enriba dela, sempre enriba dela, como se houbese algo no chan. No chan hai roupa. Supoño que tamén hai medo, estrés, fatiga, dicir adeus, chorar, chorar soa, ir correndo, non almorzar, volver correndo, laca de unllas de hai moitas semanas. Talvez por iso sempre escribo enriba da cama, e por iso sempre levo o edredón a todos os cuartos que non son os meus cuartos. O edredón laranxa e o edredón verde, a todos os cuartos.

O meu cuarto ten ás veces as sabas suxas, as sabas limpas; a xanela aberta, a xanela pechada; botellas de auga baleiras, ou cheas; cinco libros enriba da mesiña e ás veces menos; a roupa do día seguinte pendurada da cadeira, e outras veces nada, e outras veces música.
Ás veces no meu cuarto estou eu soa; outras veces compártoo.

Pero o meu cuarto nunca é o meu cuarto.

Talvez só a cama. Ás veces miña.

E supoño que seguirei a busca até atopar o cuarto. O que fique. O non precario. O de bailar sen molestar a naide. O de durmir. O de durmir máis. O de tocar o chan. O de escribir moito. O de escribir fóra da cama. O de mirar o mar. Ou mil mares. Non o sei.
Cando sexa, sabereino.

luns, 21 de agosto de 2017

Dez anos de perspectiva por Lara Rozados


Á segunda novela de Patricia Janeiro esta lectora chegou no 2007, sen saber quen era a autora. Como xurado dun importante premio de narrativa, acometera a última novela que faltaba por ler daquel lote unha noite próxima á data límite de prazo, ás dúas a mañá, despois de vir de cubrir unas eleccións municipais para un medio de comunicación en galego que xa non existe, e contando con adormecer. Pero non foi posible. A perspectiva desde a porta cativou esta lectora coa súa arquitectura narrativa, con aquela sorte de efecto bolboreta literario, que tecía unha rede de personaxes, historias individuais e familiares, un xogo especular onde recoñecer(se) tamén social e colectivamente, onde recoñecer a cidade propia e as dinámicas políticas (e económicas) que rexían a vida. Onde recoñecer os silencios, o que non se di ou o que se di deturpado. “mama, por internet non”, pídelle Nadia á súa nai cando esta fala de política mentres chatean, Venezia-Compostela (p. 25). Aquela novela enganchara a lectora até altas horas da madrugada e subira, na lista mental que preparara como iuri do certame, directa ao primeiro posto. A historia de despois, extraliteraria, pero curiosamente relacionada con aqueles silencios e deturpacións dos que falaba o libro, fora máis ou menos coñecida: o premio fora moi, moi rifado entre esta novela e a que gañara finalmente. O feito de falar explicitamente de presxs independentistas nos primeiros anos 2000, de represión, de cousas que a moita xente nos resultaban familiares e a outra xente lle chegaban deturpadas polas canles de comunicación oficiais (baixo o paraugas ou no caixón de xastre que hoxe en día chaman “apoloxía do terrorismo”) non axudou á fortuna daquela novela, que dera bastantes voltas e publicouse dous anos despois en Edicións Positivas, unha editora “pequena” e se cadra por iso valente.
Hoxe relemos A perspectiva desde a porta con nova perspectiva, valla a redundancia. Nova, mais non diferente, se acaso reafirmada. “Non pasarán e sempre pasaban, / pasaran tantas veces / que xa ninguén dicía / non pasarán (…) E pasan”, di o poema de Sucede, primeiro libro de Daniel Salgado, que precede á terceira parte do libro, “A prisión”. Seguen pasando. Nos últimos 70, nos primeiros 2000, cando gardas civís irromperan no lugar de traballo de Patricia Janeiro por entón, no marco da chamada Operación Castiñeira, e nestes violentos anos dez, cando as compostelás somos desaloxadas dos espazos que reconstruímos, o feminismo éo do espazo público, e séguese a aplicar a Lei Antiterrorista sobre xente que non acata a ideoloxía imperante. Por razón políticas e ideolóxicas calquera podemos acabar en illamento en Topas ou Navalcarnero e botar anos á espera de xuízo. Pero nos media seguirase falando de “apoloxía do terrorismo”, como se dixo desta mesma novela. Terror é que sigamos vivindo neste réxime. Como di no paratexto final do Manual básico de hostalería, tamén en Positivas, a propia Patricia Janeiro: “Non falta aquí a cidade que adoro, que non se parece en nada a esa tal Compostela da que fala esta farsa: unha cidade na que sería impensable ter tres alcales nunha lexislatura; na que un medio de comunicación nunca querería ditar a política local e os explotadores non se crerían libertadores”. Esta farsa que “lle saca as cores á realidade”, como se afirma na presentación editorial, é outra mostra do poder a narrativa de Janeiro, que toma o máis esperpéntico da realidade para tecer ficcións contundentes. Mais volvamos á Perspectiva…
Está outra vez, coma en todo o macrotexto de Janeiro, Compostela, a Compostela tomada pola Igrexa e o turismo, con esoutra cidade real silenciada baixo capas de pintura que agochan pintadas que contan cousas que os medios non contan (“liberdade para…” ou “máis de 1000 toneladas de fuel asolagan as nosas costas”); a Compostela que fervía a finais dos 70 e a que ardía, literalmente, no verán o 2006; a Compostela contrastada con esa Venezia que esmorece, “afunde” baixo a invasión turística.
Están, diciamos, os silencios. O “Intervenido Guardia Civil” nas páxinas web (páx. 37). O que cala David, o defendido de Nadia, preso en Teixeiro porque a conciliación da vida familiar da avogada, nai recente, é argumento de maior peso que que a familia de David tivese que desprazarse quilómetros para velo, incluíndo o día que efectivamente o trasladan a Teixeiro e ninguén avisa á familia (a dispersión é unha das formas máis sofisticadas de tortura que se seguen a empregar neste Estado). O que Nadia cala fronte á súa parella. As vivencias que Malvina non lle conta a Nadia.
Non é esta unha novela maniquea, malia apórselle “apoloxía do terrorismo” nalgún momento. “Se cadra cando papá vivía, cando seus pais loitaban, era máis doado. Daquela os malos constituían un grande e libre todo, e só había unha maneira de ser os bos, que pasaba por matar os malos, e todo o mundo estaba de acordo niso”. (p. 38-39). Se carecemos da comprensión lectora necesaria para entender o que se nos conta, mellor collamos e sigamos crendo as páxinas de “El Correo Gallego”. Di David na cadea “hai moitas formas de matar” (p. 185). Cando o tío Suso comeza a explicarlle cousas a Malvina, ela “non comprendía aquelas cousas que estaba a dicir, porque nunca antes ninguén llas contara”. (p. 115). A moza que cosía, “non era estudante” e sentía que aquela revolución das rúas non ía con ela remata por se unir á loita, e, á volta dos anos, escribila. A novela comeza no punto en que a súa filla defende un preso independentista e ela tenta rescatar a memoria daqueles días de loita estudantil, e do seu amor asasinado, Braulio, nun libro que non acaba de arrincar. Contrasta este personaxe redondo coa súa ascendente directa: “Todo na vida de Mariví era marabilloso porque era recto, xamais se desviara do camino trazado polos seus pais, e para ela as cousas saíran exactamente como ela quería, tiña un negocio próspero que a súa nai lle axudaba a controlar, un marido devoto e traballador, e uns fillos guapísimos coma o seu pai que chegarían ben lonxe na vida, eles serían médicos ou enxeñeiros e elas casarían con médicos ou con enxeñeiros” (p. 143). Nos retratos que tan ben definen os personaxes de Janeiro, e que neste caso debullan unha complexa saga familiar, non faltan o humor e a ironía que son necesarios para entender formas de organizar o mundo e a marcha “correcta” das cousas. Hai perspectivas e perspectivas… A perspectiva que dan as catorce portas que hai que atravesar a para saír da prisión, a que dá o xornal sobre persoas que pinta como “os malos” sen pudor ningún, ou sobre “falecidos en prisión”, cando sabemos que estes “falecementos” non poden chamarse así, coma nas noticias sobre violencia machista. A perspectiva desde a porta ábrenos, efectivamente, unha porta para mirar as cousas que ninguén mira ou que nos chegan deformadas. Unha novela tremendamente valente, no 2007 e no 2017.

[ Patricia Janeiro,  A perspectiva desde a porta, Edicións Positivas, 2009]

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venres, 18 de agosto de 2017

A Distancia por Lorena Conde


Fotografía Paula Gómez del Valle


Hai entre a teoría e a praxe, entre os principios e os actos, entre os ideais e a vida diaria unha distancia que é ás veces dunha profundidade insalvable.

E delas fala Patricia A. Janeiro no seu recente Manual básico de hostalería. Un libro breve, lixeiro e armado cunha intelixencia retranqueira que fai imposible a súa lectura discreta no autobús ou na consulta do médico. Proben e verán.

A historia, como a propia autora di, non é complicada: tres camareiras en situación precaria vense envoltas, sen saber moi ben como sucedeu, nun crime. Dende aí, Janeiro lanza cordas a outras tramas paralelas que se enredan na principal e miden esas distancias das que falabamos: a distancia entre o que se agarda dos xestores da cousa pública e o seus cuestionables intereses persoais; a distancia entre o ideario dos empresarios da esquerda e as súas prácticas, a distancia entre a honestidade esixible aos medios e as súas servidumes e, finalmente a distancia entre o que di a letra de calquera convenio e as condicións reais de traballo; asunto este que, hai que recordar, non é só unha cuestión de mala praxe puntual, senón unha práctica constante e mesmo desculpada como algo menor no caso de determinadas profesións:

Unha vez un daqueles líderes pedíralle que lle puxese unha cervexa máis cando xa estaban pechando, a ti que máis che dá, e ela dixéralle, de camarada a camarada, que se lle pensaba reclamar el as horas extraordinarias ao xefe ou el só estaba para defender os obreiros do metal. “Nena, non compares” ofendérase el. A culpa era de Marx, que se esquecera de incluír o capítulo das nenas cando estaba a redactar O Capital. (Manual p.82)

Patricia A. Janeiro non predica. Lonxe de explicarnos como deberían ser as cousas, aproveita esas distancias para construír un fresco da vida compostelá pintado a escopetazos. O resultado é unha sorte de opereta bufa que nos planta diante dos fuciños a cidade que non aparece en ningures. A Compostela de entre bastidores que non se lle ensina aos visitantes nin a certos sectores da cidadanía para que non se aususten. Unha cidade ben distinta da que Janeiro debuxaba noutros traballos anteriores como Caixa de mistos ou A perspectiva desde a porta
 
De feito a propia Patricia, nun xogo de opostos, define esa cidade que retrata o Manual como o negativo fotográfico da cidade que ela ama “unha cidade na que sería impensable ter tres alcaldes nunha lexislatura; na que un medio de comunicación nunca querería ditar a política local e os explotadores non se crerían libertadores.” (Manual p.103)

Tal e como xa ten explicado a autora, o seu coñecemento dos clarescuros da hostalería compostelá son de primeirísima man e iso nótase. Patricia A. Janeiro fai unha análise irónica pero moi afinada desa sorte de free style co que se aplica o convenio do sector:

As horas extra nos bares teñen truco. O máis sincero dos patróns pódeche dicir que nunca se sabe a que hora vai pechar, depende da xente que haxa e de cómo fose a noite, non vas deixar de servirlle a alguén porque dea a hora se estiveches media noite parada. Iso, e que non sabes cánto che vai levar limpar, depende do porco que estea todo. Outros din que non son horas extra, que porque saias un pouco máis tarde un día non pasa nada, xa o compensas entrando máis tarde outro. Pero nin o de saír máis tarde é so un día, nin chega nunca ese misterioso día no que che está permitido entrar máis tarde. (Manual p.53)
(...)
O xefe díxolle que non todo na vida era cuestión de cartos, que había máis cousas. Se el mirase tanto o carto coma ela, dixo, non lle debería pagar a noite, porque aquilo era un negocio e ela non estaba traballando. Ter o bar aberto unha noite coma aquela xeráballe máis gasto ca beneficio, así que se podía dicir que aquela noite abrira só para pagarlle a ela. Porque el sempre pagaba aos seus empregados, mesmo que non fixese cartos. (Manual p.81)

Pero tampouco parece descoñecer os vicios da política ou do xornalismo:

O outro día díxenche que se me ocorreran unha serie de artigos de opinión coa problemática da permisividade cos mendigos... e vas ti e dáslle a noticia á nena de local? Cres que unha rapaza vai saber escribir co carácter que lle dou eu?” (Manual p.85)
(...)
O director ergueuse e foi pechar a porta que o outro nin se molestara en arrimar cando entrara no despacho coas súas mexericadas.
“Escóitame ben” volveu á súa mesa. “Imos seguir publicando as novas dos mendigos porque nos vai moito niso...
(Manual p.86)

A grandísima sorte que temos as lectoras é que a autora decidira contar todas estas miserias nunha narración áxil, chea de piscadelas, xiros e retranca que consegue movernos con rapidez dun escenario a outro. 
 
Patricia Janeiro, lonxe da narración notarial, sitúase nun humor irreverente certamente refrescante, malia que sexa imposible evitar no final da novela un certo pouso amargo. Á fin e ao cabo estoutra distancia, a que media entre o Manual e a nosa vida diaria, non parece tanta.

No tocante aos personaxes, Janeiro non necesita moito máis de cen páxinas para repartir estopa en todas direccións: políticos mediocres e corruptos, xornalistas deshonestos e servís, empresarios hipócritas e trapalleiros... 
 
Tampouco se salvan da melé as tres protagonistas: tres mulleres novas que fan a súa vida integradas no estado de excepción do precariato cunha normalidade que todas recoñecemos e nunha anestesia que todas aceptamos.

Ela tíñase anoxado moito con Vane porque era a primeira que lle daba sermóns aos demais sobre a dignidade profesional e despois co seu xefe sempre baixaba a cabeza. Agora que se decidía a deixar o choio o único que se lle ocorrera dicirlle era que agardase a ter outra cousa, coma se iso fose posible. (Manual p.20)

Así aparecen as tres camareiras, algo menos caricaturizadas có resto dos personaxes, recoñecidas como figuras con pasado, presente e futuro, con nome; ou, dito nas parabras de Patricia: na novela as camareiras teñen nome e, deles, poucos o teñen. Porque normalmente son os homes, profesionais, cun perfil ben definido, os que teñen nome, e as camareiras son as anónimas. Eu quixen darlle a volta a isto. Elas son as que teñen nome e evolucionan.1

Tres mulleres atrapadas na lóxica da supervivencia que, cando entenden que o que poden perder é escaso, poñen a xirar a roda da acción na novela:

Con iso abondaba, as pretensións desorbitadas coas que aquela madrugada pensaban confrontar aos hostaleiros do ramo eran as condicións mínimas que establecía a lei e estaban ratificadas por eles mesmos. (Manual p.54)
(...)
Empapelando as portas así de seguida remataron coa fita adhesiva, e a seguinte idea tívoa ela. “Deberiámola cravar nas portas, como as teses de Lutero”. Ou como as cabezas de animais mortos da mafia. (Manual p.54)

Unha acción que as vai enredar inesperadamente nun crime e da que finalmente sairán non con maior fortuna, pero si máis fortes.

É aprezable ás claras a evolución da escrita dePatricia A. Janeiro dende a súa primeira novela. O Manual é un libriño fluído, que se deixa beber moi ben. Divertido e notablemente máis medido e axustado en relación á solemnidade excesiva dalgúns dos textos máis antigos. 
 
De ter que poñer algún pero a este libro, podería mencionarse, por unha banda, a sinxeleza da trama policíaca que en ningún momento entra no rego das convencións do xénero; e, pola outra, a simplicidade esquemática coa que se debuxan os personaxes secundarios. Aínda que, como xa a propia autora revelou, nin ela pretendía facer unha novela negra nin a caricatura dá moito espazo para os matices psicolóxicos.

En resumo, e volvendo ao asunto das distancias, pódese dicir que Patricia A. Janeiro vén de nos escribir unha peza furiosamente divertida, cun certo aroma de verbena bufonesca que recorda nalgúns momentos ao Mendoza de El misterio de la cripta embrujada pero que non perde nunca de vista o obxectivo: retratar nunha fotografía algo movida a mecánica interior dunha cidade real, con luces e sombras pola que os unicornios que nos venden os reclamos turísticos sabemos que non pacen.

  1. Patricia A. Janeiro: "Cústanos máis identificar a explotación laboral na hostalería cando o local é do noso 'rollo' político"; Entrevista de Montse Dopico para Paza Pública; http://praza.gal/cultura/14710/patricia-a-janeiro-custanos-mais-identificar-a-explotacion-laboral-na-hostaleria-cando-o-local-e-do-noso-rollo-politico/
[ Janeiro, Patricia, Manual básico de hostalería, Edicións Positivas, 2017]

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luns, 14 de agosto de 2017

IV Día das Galegas nas Letras


Durante estes días iremos presentando a cada unha das protagonistas das actividades que se levarán a cabo o día 15 de agosto no marco do IV Día das Galega nas Letras.
CHUS ÁLVAREZ: Actriz e mestra de teatro. Narradora oral. Contacontos, actriz de dobraxe e programa, ademáis, microteatro no espazo creativo NO IMPORTA.
50% de Teatro da Semente, coa que ten levado ao público infantil da Galiza, España e Portugal os espectáculos “Chíos”, “Viaxe a Dadá” e “Gretel e Bela”.
100% de enerxía, palabra e luz.
Chus abrirá as actividades da tarde cunha contada con tintes poéticos para público adulto ás 17:00 h.

IV Día das Galegas nas Letras




O día 15 de agosto, dentro das actividades do IV Día das Galegas nas Letras, arredor das 17:30, contaremos coa música de M.J.
M.J. PÉREZ, que inicia en 2014 o seu percorrido como cantautora galega levando a súa música e voz por toda Galiza.
O seu primeiro traballo, autoeditado, “Ollos que non ven, síntoma de cegueira” achegouna ao público a través da rede. Despois viría o potentísimo
“Guerrilleira”, producido por ela mesma.
Finalista do I Certame de Canción de autor en galego, acada tamén o segundo posto no VIII Certame Musical da Deputación da Coruña.
Entre tanto, acompaña voces poéticas como a de Mercedes Leobalde, Luísa Abad ou Lidia Bao.
Nestes días apresenta o primeiro clip do que será o seu novo traballo: “Ai de min”

IV Día das Galegas nas Letras

Arredor das 18 h, no Bonaval do IV Día das Galegas nas Letras, acompañaranos CHARO PITA.
Narradora oral e membro de AEDA (Asociación de narradorxs orais). Actriz de teatro, filóloga, cantora, escritora…Charo Pita di que naceu á idade de seis anos, cando rematou a lectura do seu primeiro libro.
Máis tarde iría debullando as súas historias e escribíndoas. Para maiores e miúdas, desde o relato erótico ao terrorífico.
Podemos atopala entre as páxinas de Velliñas, A rúa do vento, Igor, A la sombra del cuento, Desde Arcadia para Govinda (poesía), o libro disco Estamos no verán (con Xoán Curiel) ou a súa última novela infantil Oxalá estiveses aquí.

IV Día das Galegas nas Letras

Na Rúa Travesa, 7 está a Libraría de Mulleres Lila de Lilith, soporte esencial para moitos dos proxectos dA Sega, como o Clube de lectura feminista, e custodia da nosa Rosi (Premio na Gala do Libro Galego ao mellor proxecto literario na rede). A Lila e o seu motor revolucionario, Patriza Portopaderne, estarán tamén con nosoutras o Día das Galegas nas Letras, con libros e material feminista. Non podían faltar!

IV Día das Galegas nas Letras



Desde Barcelona, o Colectivo Glitter Zines chega para acompañarnos mañá cos seus fanzines cheos de poesía, ilustración e fotografía feminista.

Desde 2015, Henar Bengale (deseñadora gráfica e fotógrafa), Patrisick (fotógrafa) e Elena Barrio (poeta, autora de Hormigas en el aire, Valparaíso Ediciones), botaron á rúa publicacións como "Nietas de la hoguera" e "Supernova".


A súa penúltima publicación é o pequeniño zine bilingüe galego-castelán "Fluír/Fluir", con poemas menstruais de Elena Barrio e Emma Pedreira.

http://glitterzines.bigcartel.com
glitterzines@gmail.com
Glitter Zines

venres, 11 de agosto de 2017

Manuela Vázquez Coto recomenda...


Os últimos índios por Eli Ríos




2012. " Os empresarios galegos volven ser vítimas dun atentado terrorista. A fábrica de Mobles Silva, propiedade do coñecido empresario compostelán Amador Silva, foi atacada de madrugada con dous cócteles molotov" (p. 9). Así comeza Os últimos índios de P. Janeiro, cunha información de axencias na que se dá conta do final da novela. E non pensedes que fago spoiler, non. É a propia autora quen o fai. Cunha estrutura circular perfecta o libro empeza no punto exacto no que comezou... ou non... Realmente o principio e o final son pechados? É relevante o incendio da fábrica de mobles ou quizais estamos perdendo nos titulares a miga da cuestión? Pois si! P. Janeiro debulla, nesta nota de axencias, toda a información que poderíamos encontrar en calquera xornal, no noso día a día, e que asumimos como verdades universais. Temos o feito cualificado como un atentado terrorista, as iniciais do presunto pirómano, a intervención da policía, o apoio dos partidos políticos ao empresariado galego ou a investigación da relación do autor con grupos anarquistas ou independentistas. E a autora obríganos a repensar o que lemos, a nova. Retrocede aos días anteriores na vida do presunto pirómano para preguntar(-nos) os porqués. Por que alguén toma a decisión de incendiar unha empresa? Son certas as etiquetas que lle axuntan no diario? Por que o alcalde e os políticos o cualifican de atentado terrorista? Por que falan de ataques nos centros de crecemento económico do país? Por que alguén querería atacar postos de emprego? Por que só deteñen a unha persoa? Todas estas preguntas quedan pendentes nesa primeira nota de axencias e iranse desvendando mentres lemos o cotián do protagonista, Pedro. Ou non... porque o primeiro capítulo quen nos conta a súa vida é Maxina, a filla de Manolo, o ex-compañeiro de traballo de Pedro. Entón a que vén toda esta lea do si ou do non? Pois a que a autora xa nos avisa desde as primeiras páxinas que debemos prestar atención porque nos quere dentro dunha lectura activa. Vainos presentar a imaxe xeral dun quebracabezas que hai que petelar unha a unha e, como tal quebracabezas, unha peza non vai funcionar sen o elo coa anterior. E todas, ata a máis diminuta, teñen a súa importancia. E, aquí, neste punto, é onde se encontra o grande logro desta novela.
Na maioría de relatos nos que hai un misterio por resolver costumamos ler un prota que pasa determinadas penurias e consegue resolver. En Os últimos índios, non. Estamos ante unha historia coral na que cada persoa ten voz propia e unha situación persoal que converte nos últimos índios a Maxina, Marcial, Manolo e Pedro. Aquí encontramos as diversas personaxes protagonistas nun contexto que as vai definir por completo (psicolóxica, físicamente, etc), que as diferencia, unha das outras, ou que aporta os motivos e razóns para comportarse dunha maneira ou outra ( ou que as outras personaxes se comporten así con elas). E as personaxes que rodean as protagonistas non son simples adobíos narrativos. Cumpren unha función. Unha función decisiva. A primeira lembranza que ten Pedro na cela (antes do primeiro capítulo) son as palabras da súa nai, Maxina non regresaría a Compostela sen a chamada da nai, Marcial non podería manterse económicamente se non fose polo traballo da súa muller, etc Si, as personaxes secundarias, as esquecidas nas narrativas toman aquí un papel protagonista desde as posicións subalternas da sociedade. Sen elas non sería posible o desenvolvemento dos acontecementos. E, como dicía no comezo, ata as máis pequenas son fundamentais. Neste caso, a filla de Marcial. Unha nena de dous anos que non dí unha soa palabra en toda a novela, pero que ten nome: Paula. É ela quen marca os tempos das reunións que as personaxes teñen para debater como realizar o ataque, é ela quen obriga a incorporar un sistema de retención infantil no vehículo co que vixían a fábrica de mobles, é ela quen, sen dicir palabra, define a estratexia do asalto, é ela quen, sen nin sequera un son, vai cambiar a vida do matrimonio de Marcial, e, aínda máis importante, é ela quen nos vai indicar os trazos psicolóxicos ou describir os comportamentos das persoas. E cando non está ata a narradora omnisciente o fai notar: " Sorprendeulle que Marcial non levase a nena consigo, era unha imaxe case habitual, a cativa durmindo no colo protector do seu pai delincuente mentres eles tres conspiraban, era un pouco como un amuleto" (p.77)
Os últimos índios de Patricia Janeiro retrata unha realidade social que os grandes medios de comunicación tentan ocultar: o abuso dos empresarios nos momentos de crise. Esta situación laboral conduce as personaxes protagonistas a unha situación extrema na que optan pola violencia, pero, como xa vimos, o feito en si non é o sobranceiro deste texto, non. O singular é o xuntar das pezas que nós como lectoras fagamos. A nosa lectura activa. Ese exercício tan agradecido que non procura unha recepción pacífica e si revoltarnos contra as inxustizas desde a primeira liña. Ese movemento ao pensamento crítico polo que nos guía a Nosa Señora das Letras cunha mestría e intriga que non decae ata a última páxina. A pesar de coñecer o final na primeira.

[ Os últimos índios, Patricia Janeiro, Concello de Santiago, 2017]